
A melhor idade...
Nunca saberemos qual é a melhor idade. Quando somos crianças, temos verdadeira loucura pra chegarmos à adolescência. Quando adolescentes, queremos chegar à fase adulta... Quando na fase adulta, queremos chegar à maturidade... Quando na maturidade, queremos retomar a infância, a adolescência, a fase adulta e na verdade nunca estamos satisfeitos... Mas a vida é isso mesmo, uma eterna busca, e nunca estamos completamente prontos, satisfeitos, felizes, sempre queremos e buscamos por aquilo que não temos.
Por vezes pensei, acreditei que se voltasse à infância, recuperaria todo o meu tempo...
Tomaria mais banho de chuva; correria atrás do vento; pularia mais muros; vestiria mais roupas da minha mãe, brincando de ser adulta; aproveitaria mais meus irmãos; teria mais animais de estimação; apertaria campainha; brincaria mais de faz de conta; subiria mais em árvores; andaria mais descalça; comeria mais tomates com açúcar; teria beijado meu pai; dormiria mais; choraria menos; comeria mais manga verde com sal; teria sido menos tímida; passaria menos tempo dentro do quarto; tomaria mais leite condensado; brincaria mais; seria menos adulta...
Se adolescente fosse...
Sorriria mais; olharia mais pra lua; aproveitaria mais as férias; beijaria mais na boca; assistiria ao mesmo filme por várias vezes; seria menos responsável; estudaria mais; guardaria dinheiro; teria feito uma tatuagem; jamais teria fumado; teria namorado o Roberto; ouviria mais músicas; seria menos exigente comigo mesma; presenciaria mais pôr do sol; faria uma loucura por amor; picharia um muro; aprenderia a tocar violão; saltaria de asa delta; receberia mais serenata; faria serenata também; usaria aquela minissaia que não usei; iria mais ao mar, meu encontro com DEUS; abraçaria meu pai; não deixaria de sair por causa do meu cabelo...
E na fase adulta...
Teria feito arquitetura ou psicologia ou artes plásticas; compraria aquele vestido vermelho que achei lindo; não teria vendido meu fusca; teria investido melhor o dinheiro que ganhei com tanto esforço; seria menos certinha; viajaria pelo Brasil de ponta a ponta; me amaria mais também; não teria perdido a oportunidade de comprar aquele apartamento; teria conquistado um salário maior; também faria mais passeios sem hora pra voltar; aproveitaria melhor o meu bebê, pois, cresceu muito rápido; também amaria mais e faria mais amor; não perderia a chance de ficar sozinha comigo mesma pra me conhecer cada vez melhor; faria mais amigos pra compensar os que perdi; teria vivido com mais intensidade tudo...
Caminhando pra terceira idade...
E hoje fazendo 50 anos, aprendi que tudo passa e sempre vamos achar que algo deveria ter sido diferente em nossas vidas, que se fosse diferente, teríamos sido mais felizes... Eu particularmente não me arrependo de nada que tenha feito, tanto que faria tudo de novo, porque até os erros valem à pena. Ah, me arrependi de algo!!! De tudo o que deixei de fazer. Porque aprendi que seja em que fase for que estivermos vivendo, sempre poderemos fazer com que vale a pena viver. E, contudo, ainda assim morreremos sem saber o que é ser felizes de verdade, porque é humano sermos eternamente insatisfeitos. A vida é boa porque estamos sempre buscando repostas... E viver é isso mesmo, experienciar, experimentar, arriscar, buscar, se jogar de corpo e alma com coragem diante aos obstáculos, e vencê-los da melhor forma que formos capazes... Porque, cada um é cada um, e cabe a cada um, saber, a dor e a delícia de ser o que É. Hoje vejo que fui feliz na medida do possível, e serei também feliz daqui pra frente, na medida do possível... E se pudesse voltar no tempo não faria nada diferente, porque essa sou EU... Aquela que eu pude ser... E a melhor idade, é aquela que estamos vivendo hoje, agora... Por isso VIVO!!!
Um pouco de mim por Clarice Lispector
"Quem não é um acaso na vida."
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu Não: quero é uma verdade inventada."
"Liberdade é pouco... O que eu desejo não tem nome!"
"Perder-se também é caminho."
"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."
"Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio."
"E pelo amor de Deus, veja nas minhas palavras mais do que minhas palavras. Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura."
"...Despi-me de todas as couraças e finalmente tive coragem de me encarar e me mostrar para o mundo..."
"...Irei até onde meu fôlego me levar."
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